Vida saudável com o sol
» Não morra de preconceito  
  Dr. Hélio Miot
Dermatologista

Os grandes avanços da ciência e da medicina proporcionaram uma longevidade maior à população e também mais conforto e momentos de lazer, esses, muitas vezes sob exposição solar, e, nem sempre com proteção adequada. Paralelamente a isso, vem se observando um grande aumento na incidência de casos de câncer de pele na população. Apesar das campanhas de prevenção e das informações divulgadas pela mídia, ainda são diagnosticados inúmeros cânceres de pele em estágios avançados e nem sempre passíveis de cura.

Isso acontece quando as pessoas não observam na sua pele as lesões iniciais (curáveis) ou não se preocupam em procurar o dermatologista para mostrar as lesões suspeitas. Antes disso, há um descaso ainda maior no que se refere às atitudes frente à exposição solar - que são as medidas mais importantes na prevenção do câncer da pele.

A radiação solar mais perigosa para o desenvolvimento do câncer da pele é irradiada entre 9 e 15h, porém, durante todo o dia a pele recebe ainda outras radiações que provocam alterações possíveis de transformação maligna.

A evitação da exposição ao sol nesses horários, uso de chapéus e roupas longas, a permanência em sombras e marquises, uso de vidros fechados no carro (preferencialmente com película escurecedora) e a reaplicação freqüente do filtro solar são medidas recomendadas para reduzir o risco de câncer da pele.

A observação do surgimento de múltiplos cânceres de pele ou de estágios mais avançados em indivíduos do sexo masculino é um fator importante, porque os homens, de uma forma mais freqüente que as mulheres, trabalham fora de casa e expostos ao sol, apresentam uma refratariedade maior para procurar o médico e ainda culturalmente não têm o hábito de aplicar (e reaplicar) filtros solares.

A barreira machista do fato de aplicar cremes na pele tem se atenuado à medida que novas formulações como os géis e os sprays descaracterizaram os fotoprotetores como cosméticos da face e aproximaram a população masculina do seu uso. Além disso, a aplicação nas orelhas, nuca e couro cabeludo (nos calvos), tornou-se facilitada.

A despeito da moda de bronzear o corpo ou do preconceito do uso de chapéus ou de produtos que previnam a exposição excessiva às radiações solares, a população (em especial a masculina) deve se preocupar mais com os danos que o sol pode causar na pele. Além disso, observar criteriosamente as mudanças e as novas lesões que surgem na sua pele e procurar um dermatologista para mostrar as lesões suspeitas.

É só a educação da população, sem preconceitos no emprego da prevenção adequada e o diagnóstico precoce que podem modificar o panorama do câncer de pele no Brasil.

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