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Dando
continuidade à análise de como os exercícios
resistidos afetam as diversas qualidades de
aptidão física, abordaremos a velocidade, a
potência e a resistência aeróbia.
VELOCIDADE - A
velocidade de contração dos músculos
esqueléticos é uma característica com grande
dependência genética. Maiores velocidades de
contração são esperadas em pessoas que
apresentam predominância de fibras brancas. O
treinamento com exercícios resistidos não altera
a velocidade da contração muscular quando não
existe resistência aos movimentos. Por outro
lado, o grande aumento da capacidade contrátil
dos músculos induzido pelos exercícios
resistidos pode aumentar significativamente a
velocidade dos movimentos com resistência
oposta. Assim sendo, o treinamento com pesos
aumenta a capacidade de aceleração, com
conseqüente aprimoramento do desempenho em
provas de "velocidade", que na realidade são
provas de potência.
POTÊNCIA -
Assim como no caso da força e da resistência
anaeróbia, o aprimoramento da potência é uma das
características marcantes dos atletas treinados
com pesos. A potência depende basicamente da
velocidade, da força, e da resistência,
envolvendo portanto aspectos neuromusculares,
contráteis e metabólicos. Considerando que a
velocidade dos movimentos sem carga sofre pouca
influência dos exercícios, o treinamento com
pesos para potência deve objetivar o aumento da
capacidade contrátil e metabólica dos músculos,
sendo geralmente usadas séries com cerca de dez
repetições. No caso da potência instantânea ou
explosiva, o aspecto da resistência é
desconsiderado e o treinamento costuma enfatizar
apenas a capacidade contrátil, com repetições
entre cinco e dez. Preconiza-se que as maiores
capacidades contrátil e metabólica adquiridas
por meio dos exercícios resistidos sejam
adaptadas para as necessidades específicas das
diversas modalidades esportivas com a prática da
própria atividade. Alguns treinadores preconizam
no treinamento com pesos para potência a
utilização de movimentos mais rápidos do que o
habitualmente utilizado em treinamento para
hipertrofia, mas os trabalhos disponíveis até o
momento não permitem afirmar que esta proposta
seja a mais eficiente. Por outro lado,
movimentos explosivos com pesos são
potencialmente mais lesivos para o aparelho
locomotor.
RESISTÊNCIA AERÓBIA -
Durante muito tempo se considerou que
esta qualidade de aptidão não fosse aprimorada
pelos exercícios resistidos, devido à
constatação de que o VO2 máximo não aumenta com
esse tipo de treinamento. No entanto,
verificou-se que corredores e ciclistas
apresentaram melhora no desempenho em provas de
fundo da ordem de 11 à 13 %, apenas com a
inclusão do treinamento com pesos. Tais
resultados foram atribuídos aos aumentos nos
níveis do limiar anaeróbio. Duas hipóteses
tentam explicar o aumento do limiar anaeróbio
que acompanha a hipertrofia muscular. Uma delas
preconiza que atletas mais fortes poderiam
realizar determinadas intensidades de esforço
apenas com fibras vermelhas, enquanto que
atletas mais fracos utilizariam fibras vermelhas
e brancas, produzindo lactato. A outra hipótese
considera que em determinadas intensidades de
esforço atletas mais fortes utilizariam menos do
que 40 % da sua capacidade contrátil, enquanto
que atletas mais fracos utilizariam maior número
de fibras, ocluindo parcialmente a circulação e
dificultando o metabolismo aeróbio exclusivo.
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