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OS EXERCÍCIOS COM
PESOS
Os chamados
exercícios resistidos, ou exercícios
contra-resistência, geralmente são realizados
com pesos, embora existam outras formas de
oferecer resistência à contração muscular.
Musculação é o termo mais utilizado para
designar o treinamento com pesos, fazendo
referência ao seu efeito mais evidente, que é o
aumento da massa muscular. Assim sendo,
musculação não é uma modalidade esportiva, mas
uma forma de treinamento físico. Os exercícios
com pesos constituem a base do treinamento do
culturismo (musculação de competição) e dos
levantamentos de peso (básico e olímpico), além
de participarem da preparação de atletas de
diversas outras modalidades. Pelas suas
qualidades, a musculação passou a ocupar lugar
de destaque nas academias, onde o objetivo é a
preparação física das pessoas, independentemente
de objetivos atléticos. Além de induzir o
aumento da massa muscular, os exercícios com
pesos estimulam a redução da gordura corporal e
o aumento de massa óssea, levando à mudanças
extremamente favoráveis na composição corporal.
Homens e mulheres de todas as idades podem mudar
favoravelmente a forma do corpo com a ajuda do
treinamento com pesos. Do ponto de vista
funcional, os exercícios com pesos desenvolvem
importantes qualidades de aptidão, constituindo
uma das mais completas formas de preparação
física. Uma das características mais marcantes
dos exercícios com pesos é a facilidade com que
podem ser adaptados à condição física
individual, possibilitando até mesmo o
treinamento de pessoas extremamente debilitadas.
Pela ausência de movimentos rápidos e
desacelerações, os exercícios com pesos
apresentam também baixo risco de lesões
traumáticas. Por todas as suas qualidades, e
pela documentação da sua segurança geral, o
treinamento com pesos ocupa hoje lugar de
destaque em reabilitação geriátrica e em
terapêutica por exercícios.
MASSA MUSCULAR
O volume dos músculos das pessoas é determinado
pelas suas condições genéticas e pelas
características da atividade física à qual foi
submetido. Algumas pessoas apresentam boa massa
muscular, mesmo com estilo de vida sedentário, o
que se explica por um código genético favorável.
No entanto, com o avançar da idade, mesmo essas
pessoas irão perdendo massa muscular por falta
de exercícios. Qualquer exercício estimula algum
aumento de massa muscular, embora os exercícios
resistidos sejam os mais eficientes nesse
sentido. Os exercícios com pesos também produzem
resultados variáveis em pessoas diferentes. As
pessoas que reagem melhor, aumentando
rapidamente a massa muscular, parecem possuir
maior número de fibras nos músculos esqueléticos
ao nascimento. Diferenças metabólicas também
podem ter influência no potencial para massa
muscular, mas este aspecto ainda não está bem
esclarecido. O efeito do treinamento é estimular
a hipertrofia ou seja, o aumento de volume das
fibras musculares. Tanto as fibras musculares
brancas (do tipo II ou glicolíticas ou rápidas)
quanto as vermelhas (do tipo I ou oxidativas ou
lentas) apresentam hipertrofia. As fibras
brancas são maiores do que as vermelhas, tanto
nos sedentários quanto nos atletas. Algumas
evidências sugerem que o treinamento com pesos
grandes e baixas repetições (menos de 5)
estimulam mais as fibras brancas, e que o
treinamento com repetições mais altas (acima de
5) estimulam a hipertrofia de ambos os tipos de
fibras. O treinamento com pesos apresenta dois
tipos de sobrecargas, úteis para a hipertrofia:
sobrecarga tensional e sobrecarga metabólica,
esta do tipo energética anaeróbia. A sobrecarga
tensional é o grau de tensão que ocorre no
músculo durante a contração, e é proporcional à
resistência oposta ao movimento. Quanto maior o
peso, maior a sobrecarga tensional. A sobrecarga
metabólica é a solicitação acentuada dos
processos de produção de energia, e nos
exercícios com pesos é dada pelas repetições
mais altas e pelos intervalos curtos entre as
séries. Estas sobrecargas ocorrem sempre juntas,
embora seja possível enfatizar uma ou outra.
Pesos grandes e conseqüentemente baixas
repetições, enfatizam a sobrecarga tensional,
enquanto que pesos não tão grandes, que permitem
mais repetições, enfatizam a sobrecarga
metabólica. A sobrecarga tensional estimula o
aumento das miofibrilas, e este é o principal
mecanismo da hipertrofia muscular. A sobrecarga
metabólica estimula o aumento da rede protéica
estrutural, das mitocôndrias, e também o acúmulo
de glicogênio e água dentro da célula. O
glicogênio pode triplicar a sua quantidade, e
cada grama dessa substância carrega consigo
quase três gramas de água. O resultado do
acúmulo de glicogênio e água é o aumento da
consistência do músculo, que se torna mais firme
à palpação. Outro efeito da sobrecarga
metabólica é a maior vascularização dos
músculos. Todos esses efeitos ocorrem tanto nas
fibras brancas quanto nas vermelhas. A
associação de sobrecargas que parece ser mais
eficiente para o aumento de massa muscular
utiliza repetições em torno de 10, e intervalos
entre séries de 1 à 2 minutos. Repetições mais
altas e/ou intervalos mais curtos costumam ser
utilizadas para intumescer e vascularizar os
músculos, geralmente associadas à dietas para
definição, para efeito de campeonatos ou
apresentações. O grau de sobrecarga tensional ou
seja, a quantidade de peso a ser utilizada,
costuma ser determinada experimentalmente em
cada sessão: utilizam-se pesos leves nas
primeiras séries para aquecimento, e nas últimas
séries do exercício escolhe-se um peso que
permita a realização das repetições planejadas
com dificuldade. O método de determinação de
carga máxima para uma repetição (1 RM) costuma
ser utilizado como parâmetro de avaliação do
desempenho em trabalhos científicos. Em nível de
treinamento, técnicos experientes em musculação
não utilizam o teste de 1 RM. Mesmo com os
estímulos adequados, a hipertrofia muscular
poderá não ocorrer caso não haja completa
recuperação do organismo entre as sessões de
treinamento. As programações mais eficientes em
induzir o aumento de massa muscular
caracterizam-se por serem curtas, e por
incluírem pelo menos dois dias de descanso total
do organismo em cada semana. O uso de
anabolizantes permite que o treinamento seja
mais exaustivo, mas não garante que os
resultados sejam muito diferentes do treinamento
sem drogas bem orientado. Geralmente os
anabolizantes só fazem grande diferença quando a
pessoa treina excessivamente. Embora não se
possa negar que os anabolizantes favoreçam a
musculação, essas substâncias não mudam o
potencial genético, e portanto não são
"formadoras de campeões" como popularmente se
imagina. Além disto, colocam os usuários em
grupos de risco estatístico para várias doenças
graves.
APTIDÃO FÍSICA
A sobrecarga tensional do treinamento com pesos
estimula diretamente a força, e a sobrecarga
metabólica, a resistência anaeróbia. Esta é a
capacidade de prolongar esforços de alta
intensidade. A coordenação é altamente
estimulada devido aos movimentos localizados,
amplos e relativamente lentos que caracterizam
os exercícios com pesos. A flexibilidade tende a
aumentar porque a hipertrofia se acompanha
sempre de importante aumento do tecido
conjuntivo elástico intra-muscular, mesmo quando
os exercícios forem parciais. Além disto, os
exercícios com pesos forçam os limites de
amplitude dos movimentos, principalmente quando
as articulações estão limitadas por retrações
capsulares como as induzidas pelo sedentarismo.
Quando a pessoa já está com grandes amplitudes
articulares a musculação não pode aumentar a
flexibilidade, embora os músculos fiquem mais
elásticos e resilientes. A velocidade de
movimentos é uma característica genética que
parece não se modificar com a musculação. As
diversas manisfestações de potência são bastante
estimuladas porque dependem da força e da
resistência anaeróbia que aumentam bastante. Até
mesmo a resistência aeróbia aumenta com os
exercícios com pesos, embora não aumente
significativamente o VO2 máx. A explicação é o
aumento do limiar anaeróbio ou seja, a maior
intensidade de esforço que a pessoa consegue
realizar aerobiamente. Uma hipótese para
explicar o aumento do limiar anaeróbio é a maior
capacidade contrátil das fibras vermelhas
hipertrofiadas, que conseguiriam realizar maior
quantidade de trabalho antes que as fibras
brancas fossem recrutadas. Para o objetivo de
uma preparação física completa, os exercícios
com pesos costumam ser associados à alguma forma
de exercício aeróbio, para aumentar o VO2 máx.
QUALIDADE DE VIDA
Entende-se por "boa qualidade de vida" a
condição das pessoas não se sentirem limitadas
para tarefas que desejam realizar por falta de
condição física. Evidentemente uma pessoa que
tenha bem desenvolvidas todas as qualidades de
aptidão estará preparada para qualquer tipo de
esforço. O sedentarismo é a cauda mais freqüente
de má condição física, diminuindo todas as
qualidades de aptidão. Considerando-se os
esforços mais comuns na vida diária e no
trabalho braçal, a diminuição de força e
flexibilidade são as mais prejudiciais para a
qualidade de vida. A condição aeróbia acima da
média, que seria importante para prolongar
esforços de baixa intensidade, não é condição
necessária para a realização das tarefas da vida
diária, e da grande maioria das formas de
trabalho braçal. Quando uma pessoa debilitada
apresenta dispnéia e taquicardia frente à
pequenos esforços, estamos diante de um efeito
da falta de força muscular. Explicando melhor: a
quebra da homeostase nos exercícios é
proporcional à intensidade do esforço, ou seja,
quanto maior a intensidade do esforço, maior a
repercussão hemodinâmica. A intensidade do
esforço é um conceito relativo, e que depende do
porcentual de capacidade contrátil que está
sendo utilizado. Assim sendo, uma tarefa
qualquer será de baixa intensidade para uma
pessoa forte e de alta intensidade para uma
pessoa enfraquecida. Pessoas fortes utilizam
menor porcentual de capacidade contrátil do que
pessoas debilitadas, para as mesmas tarefas. Ao
aumentar a força muscular portanto, consegue-se
diminuir a intensidade dos esforços em geral. No
caso de uma pessoa com boa força muscular, na
vida diária e no trabalho braçal, a homeostase
somente será afetada na medida em que houver
necessidade de prolongar os esforços, o que
exige resistência. Nestas situações, o tipo de
resistência necessária e a anaeróbia. Estes
recentes conhecimentos de fisiologia do
exercício explicam porque os exercícios com
pesos são tão eficientes em reabilitação
geriátrica. O aumento da força e da
flexibilidade devolve rapidamente qualidade de
vida aos idosos e, mais do que isto, auxilia na
prevenção de quedas, com conseqüente diminuição
da mortalidade. Além disto, a adaptabilidade dos
exercícios com pesos à pessoas com qualquer
condição física, e o baixo índice de lesões,
contribuem para a escolha preferencial desses
exercícios para pessoas idosas e debilitadas.
MEDICINA DO EXERCÍCIO
Entende-se por medicina do exercício o estudo
das relações que existem entre os exercícios
físicos e as doenças humanas, nos aspectos
profiláticos, terapêuticos e de concomitância.
Medicina do exercício não é uma especialidade
médica. Trata-se de uma área do conhecimento, de
importância para todos os médicos, e para várias
especialidades como a epidemiologia, clínica
médica, medicina esportiva, fisiatria,
ortopedia, geriatria, e outras. Também na
educação física, na fisioterapia, e em outras
áreas onde os profissionais utilizam a atividade
física, é importante conhecer as relações do
exercício com as doenças. Na área da profilaxia
de doenças, numerosos estudos contribuem para
que a atividade física seja considerada um dos
fatores estimulantes da saúde, diminuindo os
riscos das pessoas desenvolverem algumas
condições patológicas. Tudo indica que a
atividade física atua diminuindo o stress
emocional, alterando favoravelmente a fórmula
sanguínea, reduzindo a gordura corporal,
aumentando a massa muscular, aumentando a
densidade óssea, ativando o metabolismo dos
nutrientes, modulando o sistema imunológico, e
proporcionando aptidão física para uma boa
qualidade de vida. A maioria dos estudos no
entanto, são de natureza populacional, e algumas
dúvidas ainda não puderam ser respondidas.
Exemplificando: ainda não se sabe qual o volume
e a intensidade de atividade física suficientes
para desencadear os efeitos benéficos para a
saúde. Sabe-se apenas que volumes e intensidades
excessivos são prejudiciais. Por outro lado,
alguns aspectos já estão razoavelmente bem
esclarecidos. Por exemplo, qualquer tipo de
atividade física parece ser saudável, esportiva
ou laborativa, desde que compatível com a
condição física da pessoa.
PERÍODO DE CRESCIMENTO - A literatura científica
não confirma as hipóteses de prejuizo à saúde ou
ao desenvolvimento de crianças e adolescentes em
treinamento com pesos. No entanto, por
prudência, técnicos experientes concordam em
evitar grande sobrecarga tensional e grandes
volumes de treinamento.
PESSOAS IDOSAS - Pessoas idosas e sedentários
devem ser treinados com pesos com os mesmos
cuidados dispensados às crianças e aos
adolescentes, com mais uma precaução: as
amplitudes dos movimentos precisam ser
cuidadosamente adaptadas para cada caso
individual. Freqüentemente idosos apresentam
retrações capsulares e processos degenerativos
articulares que impedem grandes amplitudes de
movimento. As retrações capsulares, geralmente
por sedentarismo, são lentamente corrigidas
forçando-se um pouco os limites do movimento. A
dor forte e persistente nos limites da amplitude
indica processos degenerativos que devem ser
respeitados. Nesses casos utilizam-se pesos
difíceis para efeito de treinamento, mas sem
forçar os limites das amplitudes.
ATEROSCLEROSE - A deposição de placas de
colesterol (ateromas) na parede das artérias
recebe o nome de aterosclerose. Arteriosclerose
é outra situação: trata-se do endurecimento das
paredes arteriais. As pessoas idosas costumam
apresentar arteriosclerose mas nem todas
apresentam depósito de ateromas. A
arteriosclerose diminui a capacidade de
adaptação do sistema vascular aos esforços, mas
sem maiores conseqüências para a saúde. Ao
contrário, a aterosclerose leva ao
enfraquecimento e dilatação localizada
(aneurismas) das artérias, que podem se romper.
Além disto, as placas de ateromas diminuem o
fluxo de sangue para os diversos órgãos, e em
situações de aumento da demanda por oxigênio
podem precipitar um infarto (morte tecidual). Os
exercícios físicos, incluindo os exercícios com
pesos, diminuem os triglicerídeos no sangue,
diminuem também as lipoproteínas nocivas (LDL),
e aumentam os níveis das lipoproteínas benéficas
(HDL), diminuindo assim o risco de
aterosclerose.
HIPERTENSÃO ARTERIAL -
A pressão arterial
elevada em repouso é uma doença cuja causa na
maioria das vezes é desconhecida, provavelmente
com um importante componente genético. A pressão
arterial constantemente elevada favorece a
aterosclerose, e produz o enfraquecimento do
coração, podendo se instalar a insuficiência
cardíaca. A hipertrofia do miocárdio nesses
casos é dita patológica, caracterizando-se pelas
diminuições das câmaras cardíacas, e pode
originar arritmias, angina e morte súbita. A
hipertrofia cardíaca dos atletas é fisiológica e
não se acompanha de fenômenos prejudiciais à
saúde. Durante qualquer tipo de exercício ocorre
aumento da pressão arterial mas por pouco tempo,
atuando a sobrecarga pressórica nesse caso, como
fator de treinamento. Os exercícios com pesos
somente produzem aumento de pressão arterial
muito superior à outras formas de exercícios
quando se utilizam altas sobrecargas tensionais,
principalmente quando ocorrem contrações
isométricas em apnéia. Pessoas hipertensas
treinando com pesos devem evitar essas situações
porque a elevação aguda e intensa da pressão
arterial sistólica pode levar à acidentes
hemorrágicos pela rotura da parede de artérias
enfraquecidas pela deposição de ateromas. No
entanto, qualquer tipo de atividade física,
incluindo o treinamento com pesos, contribui
para o tratamento dos hipertensos. A pressão
arterial em repouso diminui, embora durante os
exercícios ocorra aumento dos níveis pressóricos.
Em exercícios como a corrida, o ciclismo e a
natação, quando o praticante for hipertenso,
deve ser evitada a velocidade elevada de
movimentos, que também produz aumentos mais
acentuados da pressão arterial.
CARDIOPATIAS - O perigo dos exercícios para a
maior parte das cardiopatias está no aumento da
taxa metabólica do miocárdio durante o esforço.
Sempre que faltar oxigênio para o miocárdio
poderão ocorrer angina, infarto, arritmias, ou
parada cardíaca. Na aterosclerose das coronárias
a oferta de sangue oxigenado já está diminuída
em repouso e a situação se agrava no exercício.
Em situações de hipertrofia patológica como a
cardiomiopatia hipertrófica (doença genética) e
na cardiomiopatia hipertensiva, a demanda por
oxigênio já é alta em repouso, e novamente a
situação é mais grave durante o exercício. Na
hipertrofia cardíaca do atleta, o aumento da
demanda do miocárdio se acompanha de aumento
proporcional de oferta pelas coronárias. No caso
dos distúrbios de condução elétrica do
miocárdio, como nos bloqueios de ramo, o aumento
do trabalho cardíaco nos exercícios pode não
ocorrer, gerando insuficiência funcional, ou
pode ocorrer desordenadamente, levando à
arritmias e morte súbita. Recentes trabalhos
documentaram que os exercícios com pesos possuem
características que os tornam relativamente
seguros para cardiopatas, desde que não se
utilizem grandes cargas. Basicamente a diferença
entre os exercícios com pesos e os exercícios
aeróbios, do ponto de vista cardiológico, é que
a pressão arterial aumenta um pouco mais nos
exercícios com pesos, e a freqüência cardíaca
aumenta muito menos. Estes dois aspetos
contribuem para a segurança cardiológica: a
pressão arterial aumentada, dentro dos limites
de segurança, aumenta o fluxo coronariano, e a
freqüência cardíaca mais baixa, não aumenta
muito a taxa metabólica do miocárdio, e não
sobrecarrega o sistema de condução de impulsos.
OBESIDADE - A maior parte das pessoas obesas
apresentam colesterol alto e HDL baixo,
favorecendo a aterosclerose. Além disto, a
obesidade leva à hipertensão arterial, o que
também agrava a aterosclerose. Muitos obesos
também são diabéticos, e portanto apresentam
degenerações nas paredes vasculares. O resultado
da interação desses fatores é uma alta
incidência entre obesos de angina, infarto,
insuficiência cardíaca, arritmias e morte súbita.
A base metabólica da obesidade é que as calorias
ingeridas e não utilizadas são armazenadas como
gordura. Alguns obesos apresentam taxas
metabólicas baixas e ingestão normal de
alimentos, enquanto em outros encontra-se
super-alimentação e sedentarismo. Qualquer tipo
de atividade física combate o obesidade por
manter a taxa metabólica mesmo na vigência de
dietas hipocalóricas, e por aumentar o gasto
energético. Além desses aspectos, a longo prazo
ocorre aumento de massa muscular, o que aumenta
o metabolismo basal, favorecendo ainda mais o
emagrecimento. Nesse último aspecto, a
musculação é evidentemente superior à outras
formas de atividade física. Com relação ao
metabolismo energético do esforço ser aeróbio ou
anaeróbio, a única diferença é que o
emagrecimento ocorre em momentos diferentes:
durante os exercícios aeróbios e após os
exercícios anaeróbios. Vários trabalhos que
estudaram o assunto documentaram o mesmo nível
de emagrecimento entre exercícios aeróbios e
exercícios com pesos, no curto prazo. A longo
prazo, espera-se vantagem dos anaeróbios em
função do maior estímulo à massa muscular.
DIABETES - O diabetes mellitus caracteriza-se
por aumento da glicose no sangue e
conseqüentemente na urina. Ocorre aumento na
quantidade de urina (poliúria) por ação
osmótica, sede intensa (polidipsia) e
emagrecimento (uso de gordura como energia pela
impossibilidade de usar a glicose). A glicose
aumenta no sangue por que não pode entrar na
célula, por uma ou mais das seguintes razões:
falta de produção de insulina pelo pâncreas
(diabetes tipo I ou juvenil); diminuição da
produção de insulina (diabetes adulto ou tipo
II); aumento da resistência à ação da insulina
nas células (diabetes adulto ou tipo II).
Qualquer atividade física ajuda no tratamento do
diabetes porque: durante os exercícios a glicose
entra nas células sem a necessidade de insulina
e portanto a glicemia abaixa; os exercícios
habituais diminuem a resistência à insulina nas
células. Este último efeito sugere que a
musculação seja particularmente útil a longo
prazo, porque o aumento da massa muscular
aumenta a quantidade de tecido captador de
glicose, mesmo em repouso, ajudando a controlar
melhor a glicemia. Devido à fragilidade vascular
dos diabéticos, recomenda-se evitar sobrecargas
tensionais que aumentem muito a pressão
arterial. Durante as sessões de treinamento os
diabéticos podem apresentar crises de
hipoglicemias, podendo ficar torporosos, quando
então deverão receber alguma forma de açúcar.
Caso o torpor seja por hiperglicemia, não haverá
prejuízo, mas se for por hipoglicemia, o açúcar
poderá salvar uma vida, pois o coma
hipoglicêmico pode evoluir rapidamente para a
morte. Com a atividade física habitual os
diabéticos tendem a precisar de menores doses de
medicamentos.
LESÕES MÚSCULO-ESQUELÉTICAS -
A sobrecarga tensional dos exercícios com pesos estimulam o
aumento da massa óssea e da massa muscular, e a
proliferação do tecido conjuntivo elástico nos
músculo, tendões, ligamentos e cápsula
articular. Tudo indica que também estimulam
troficamente a cartilagem hialina das
articulações. O resultado prático é todo um
complexo músculo-esquelético mais forte e mais
resistente à lesões. Estatísticas indicam que as
lesões no treinamento com pesos ocorrem mais
frequentemente quando ocorre: uso de cargas
máximas para uma repetição; equipamento mal
projetado; treinamento mal orientado. Atualmente
a literatura científica não dispõe de estudos
experimentais ou levantamentos de casos
conclusivos sobre as técnicas mais seguras para
a execução dos exercícios com pesos. Nesta
situação, o conhecimento adquirido por tentativa
e erro por parte dos técnicos experientes é o
mais confiável no sentido de evitar lesões.
Freqüentemente essas técnicas são endossadas por
análise biomecânica dos movimentos. No entanto,
com alguma freqüência, hipóteses de que tais
técnicas são perigosas são levantadas, mas
devemos sempre nos lembrar de que na falta de
conhecimento científico, a ciência considera o
conhecimento popular mais próximo da verdade do
que as hipóteses não documentadas. As cãimbras,
que predispõem às distensões musculares, são
freqüentes quando os músculos estabilizadores
são sobrecarregados em contrações isométricas.
Para evitar essa situação, devemos buscar sempre
a posição de melhor equilíbrio do centro de
gravidade, que coincide com a posição de maior
conforto. O impulso, que é uma técnica de
treinamento, não deve ser obtido usando-se a
resiliência dos músculos. Isto exige relaxamento
muscular, o que expõe os ligamentos articulares
à lesões de difícil cura. O uso de cargas
excessivas pode levar às tendinites e
teno-bursites agudas. O excesso de treinamento,
a longo prazo, produz tendinites crônicas,
muitas vezes agravadas pelos micro-traumas de
exercícios ou técnicas inadequadas para as
alavancas ósseas da pessoa. Deformidades ósseas
podem ser resultado de músculos encurtados ou
espásticos, produzidos por lesões neurológicas,
traumáticas ou infecciosas. Não existe
possibilidade de que músculos hipertrofiados
produzam os mesmos efeitos. A hipertrofia se
acompanha de aumento de elasticidade muscular e
não ocorre hipertonia ou encurtamento. Mesmo no
treinamento não equilibrado entre agonistas e
antagonistas, o grau de contração em repouso de
um músculo forte é apenas o suficiente para
equilibrar o tônus do seu oponente mais fraco.
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