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Toda atividade
física produz estímulos para aumento da massa
muscular, contrapondo-se ao sedentarismo que
leva à diminuição progressiva do volume dos
músculos esqueléticos. Por razões didáticas,
propomos que as sobrecargas funcionais que
ocorrem no músculo esquelético em atividade
sejam denominadas sobrecarga tensional e
sobrecarga metabólica. Sobrecarga tencional
refere-se ao aumento de tensão no músculo em
atividade, que é diretamente proporcional à
resistência oposta ao movimento e ao grau de
ativação dos mecanismos contráteis. Sobrecarga
metabólica, no caso do tipo energética, designa
o aumento de atividade dos processos de produção
de energia. Ambas as sobrecargas contribuem para
o aumento de volume dos músculos esqueléticos,
por diferentes mecanismos.
A adaptação do
organismo estimulada pela sobrecarga tensional é
a síntese de proteína contrátil miofibrilar,
sendo este o mecanismo mais importante para a
hipertrofia do músculo esquelético. Do ponto de
vista funcional, a qualidade de aptidão
paralelamente estimulada é a força, ou seja a
capacidade contrátil dos músculos. A sobrecarga
metabólica dos exercícios também contribui para
a hipertrofia da fibra muscular principalmente
devido ao estimulo para o aumento do volume e
número das mitocôndrias, e ao acúmulo de
glicogênio e água. O maior estímulo à
vascularização, próprio da sobrecarga
metabólica, embora extracelular, também
contribui para o volume dos músculos.
Paralelamente aumenta a resistência, aeróbia ou
anaeróbia, dependendo do tipo de esforço
envolvido no treinamento. A quantidade de
glicogênio pode triplicar nos músculos
adequadamente treinados, e considerando-se que
por razões de hidratação molecular, cada grama
de glicogênio carreia quase três gramas de água,
compreende-se o grande aumento do conteúdo de
água intracelular resultante do processo. Por
razões diversas, a sobrecarga metabólica
anaeróbia associa-se com maior grau de
hipertrofia muscular do que a aeróbia. As
mitocôndrias e a vascularização aumentam na
sobrecarga metabólica anaeróbia em função da
ativação paralela do metabolismo aeróbio. A
consistência do músculo aumenta
proporcionalmente ao grau de sobrecarga
metabólica, em função da saturação de glicogênio
e água. Este é um processo popularmente definido
como "tonificação", mas que na verdade não
apresenta aumento do grau de contração em
repouso.
Nos exercícios
resistidos, as sobrecargas de treinamento no
músculo esquelético podem ser facilmente
manipuladas, conforme se deseje enfatizar uma ou
outra, embora não seja possível separá-las. O
treinamento para força enfatiza a sobrecarga
tensional, com pesos elevados e consequentemente
baixas repetições, geralmente entre três e
cinco. Os intervalos entre séries costumam ser
maiores do que dois minutos. A hipertrofia
ocorre lentamente porque a síntese proteica é um
processo lento, e pode atingir grande magnitude.
A diminuição de volume muscular no
destreinamento também é relativamente lenta,
devido à que as miofibrilas passam a ser parte
integrante das células. O treinamento para
resistência, no caso anaeróbia, é realizado com
cargas menores e repetições mais elevadas,
geralmente entre quinze e vinte. Os intervalos
de descanso costumam ser menores do que um
minuto. A hipertrofia ocorre mais rapidamente
porque o acúmulo de glicogênio é um processo
relativamente rápido. A magnitude da hipertrofia
no entanto é menor, pelo menos no curto prazo,
visto que o processo é limitado pela saturação
do glicogênio intracelular em torno de 4,5 gr %.
A perda de volume muscular com o destreinamento
é rápida, devido ao caráter não estrutural do
glicogênio e da água. A hipertrofia máxima
ocorre com a associação de sobrecargas, que pode
ocorrer de diferentes formas. A mais simples e
mais freqüentemente utilizada são as repetições
em torno de dez movimentos, com intervalos entre
séries entre um minuto e um minuto e meio. A
força e a resistência anaeróbia aumentam
paralelamente, justificando a utilização deste
tipo de estímulo para quase todos os objetivos
do treinamento com pesos.
Em todas as
formas de atividade física ocorrem as
sobrecargas tensional e metabólica no músculo
esquelético. No caso dos exercícios contínuos,
tais como corrida, natação e ciclismo por
exemplo, quanto maior a velocidade dos
movimentos maior a sobrecarga tensional e maior
o grau de anaerobiose do esforço. Por esta
razão, velocistas em geral apresentam maior
aumento de massa muscular em relação aos
fundistas.
Bibliográficas
recomendada:
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1997.
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