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Os exercícios
resistidos solicitam os dois tipos básicos de
fibras musculares que formam os músculos
esqueléticos humanos: fibras brancas e fibras
vermelhas. As fibras vermelhas também são
identificadas em outras classificações como
lentas, oxidativas ou do tipo I. As fibras
brancas são conhecidas também como rápidas,
glicolíticas ou do tipo II. Alguns grupos
musculares humanos possuem predominância de
fibras brancas, enquanto que outros apresentam
maior quantidade de fibras vermelhas.
Considerando-se os diversos grupos musculares em
conjunto, verifica-se que existe grande variação
inter-individual nas proporções entre fibras
brancas e vermelhas. Algumas pessoas possuem
predomínio de um tipo sobre o outro, o que as
torna mais aptas para as atividades que dependem
do tipo de fibra predominante. As fibras
vermelhas são normalmente solicitadas em
atividades de baixa intensidade, quando a tensão
muscular durante a contração é pequena, e quando
o metabolismo energético predominante é o
aeróbio. As fibras brancas, com metabolismo
predominante anaeróbio, são ativadas
preferencialmente nas atividades de velocidade e
nas tarefas de força, nesse último caso no
entanto, geralmente em conjunto com as fibras
vermelhas.
Para entendermos
melhor o processo de recrutamento de fibras na
contração muscular, é necessário esclarecer que
as fibras musculares podem ser
sub-classificadas, sendo dois sub-tipos de
fibras brancas os mais importantes do ponto de
vista funcional. As fibras II-A são chamadas
fibras intermediárias, porque possuem
metabolismo glicolítico e oxidativo, enquanto
que as fibras II-B são apenas glicolíticas.
Normalmente as pessoas possuem maior quantidade
de fibras II-A, mas pessoas fisicamente ativas
aumentam a sua quantidade. Isto se deve à que a
atividade física, tanto aeróbia quanto anaeróbia
(que como já vimos apresenta ativação aeróbia
paralela), induz o acúmulo de enzimas oxidativas
nas fibras II-B. Outro aspecto importante é que
nas atividades mais comuns, as fibras musculares
são solicitadas para contração em uma sequência
progressiva de volume celular: as menores são
ativadas antes das maiores. Os menores diâmetros
ao corte transversal são os das fibras
vermelhas. Considerando a faixa de variação
normal de volume entre as fibras musculares, as
fibras II-A apresentam um diâmetro médio. A
maior parte das fibras II-B também possuem
diâmetros médios, mas algumas possuem grandes
volumes, mesmo entre pessoas sedentárias.
No caso do
treinamento com pesos, exercícios com pequenas
cargas, que ativam poucas unidades motoras,
utilizam apenas fibras vermelhas. Exercícios com
cargas maiores mas ainda pequenas, ativam maior
quantidade de fibras, mas todas vermelhas.
Cargas maiores do que as necessárias para ativar
todas as fibras vermelhas, comecarão a solicitar
as fibras brancas. Normalmente cargas em níveis
de treinamento para hipertrofia, entre 70 e 90 %
de carga máxima, ativam todas as fibras
vermelhas e a maior parte das fibras brancas. Na
ativação muscular voluntária nunca é possivel
ativar simultaneamente todas as fibras
musculares, e no caso do treinamento para
hipertrofia, as fibras que permanecem em repouso
são as fibras II-B de tamanho maior. Essas
fibras são ativadas apenas em situação de
esforço máximo, para uma única repetição do
movimento, ou em movimentos repetidos quando a
maioria das outras fibras já estão em fadiga.
Devido à sua participação nos esforços por tempo
muito curto, mesmo em treinamento com pesos, as
fibras II-B não acumulam enzimas oxidativas.
Assim sendo, apenas as fibras II-B de tamanho
médio tendem a serem transformadas em II-A. O
processo de hipertrofia dos músculos
esqueléticos caracteriza-se por aumento de
volume celular que pode ser predominantemente de
fibras brancas, ou tanto de brancas quanto de
vermelhas. Em situações de movimentos muito
rápidos ou de força máxima, parece haver uma
inibição de fibras vermelhas em favor das fibras
brancas de todos os tamanhos. Provavelmente por
esse mecanismo, atletas de movimentos explosivos
e levantadores de peso apresentam hipertrofia
seletiva de fibras brancas. O treinamento com
pesos para hipertrofia, tal como realizado na
musculação esportiva e em reabilitação, estimula
aumento de volume tanto nas fibras brancas
quanto nas fibras vermelhas. Como as fibras
brancas dos sedentários são maiores do que as
vermelhas, nos indivíduos treinados permanece um
diferencial de volume em favor das fibras
brancas.
Bibliografia
recomendada:
Pyca G, Lindenberg E, Charette S, et al.
Muscle strength and fiber adaptations to a
year-long resistance training program in elderly
men and women. J Gerontol, 49(1): M22-7,
1994.
Sale DG. Neural adaptation to resistance
training. Med Sci Sports Exerc, 20 (5):
S135-45, 1988.
Saltin B, Gollnick PD. Skeletal muscle
adaptability: significance for metabolism and
performance. Handbook of Physiology: Skeletal
Muscle, Sec.10, Chap.19, p. 555-631,
Bethesda, MD: American Physiological Society,
USA, 1983.
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