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Originalmente
publicado na revista Âmbito - Medicina
Desportiva, 31: 15-16, maio/1997
Os exercícios
resistidos são geralmente realizados com pesos,
justificando a expressão genérica "treinamento
com pesos". Não se trata de uma modalidade
esportiva, mas de uma forma de preparação
física, utilizada por atletas em geral, e também
em terapêutica, reabilitação, estímulo à saúde,
estética e lazer. Atualmente o termo
"musculação" costuma ser utilizado para designar
o treinamento com pesos.
Os exercícios resistidos podem ser considerados
muito seguros, mesmo para pessoas idosas e
debilitadas. O treinamento bem orientado ocorre
com exercícios isotônicos, evitando-se a apnéia,
e com as cargas adequadas à força do praticante,
permitindo várias repetições antes da fadiga
muscular. Não apenas as cargas, e
conseqüentemente as repetições, são adequadas à
condição física da pessoa, mas também a
amplitude dos movimentos, os intervalos de
descanso, o número de séries e de exercícios, e
a freqüência das sessões. Os movimentos são
relativamente lentos e cadenciados, sem
acelerações ou desacelerações violentas. O corpo
permanece em posições anatômicas e confortáveis
durante os exercícios, sem a possibilidade de
desequilíbrios, quedas e torções. Como em toda
forma de atividade física, a pressão arterial se
eleva também nos exercícios resistidos, mas
dentro de limites seguros, mesmo com cargas
elevadas, desde que não se realizem contrações
isométricas em apnéia. Devido ao caráter
interrompido do treinamento, a freqüência
cardíaca eleva-se em níveis discretos. O
resultado é um duplo produto de baixo risco
cardíaco. Deve ser lembrado que o aumento de
pressão arterial melhora o oferta de oxigênio
para o miocárdio, enquanto que a elevação da
freqüência cardíaca aumenta o consumo. Benn et
al (1996) determinaram que alguns minutos de
caminhada em esteira com leve inclinação induz
maior "stress" cardio-circulatório do que o
treinamento com pesos com sobrecarga para
hipertrofia (no caso 75 % da carga máxima).
Em função de sua segurança e das qualidades de
aptidão que desenvolve, os exercícios com pesos
têm sido utilizados com sucesso na profilaxia de
incapacidade em idosos (Evans, 1996) e em
reabilitação cardíaca (Verril & Ribisl, 1996).
Na área esportiva, os exercícios com pesos estão
sendo cada vez mais utilizados. Paralelamente ao
aumento de volume muscular, importantes
qualidades de aptidão são aprimoradas. Além
disto, os efeitos do treinamento levam à uma
relação peso/potência mais favorável. Os
músculos são os motores do corpo, enquanto que a
gordura constitui a parcela da carga que pode
ser modificada. Assim sendo, quanto mais
músculos e menos gordura, melhores serão as
condições para o desempenho físico.
No que diz respeito à qualidade de vida e à
profilaxia de doenças, recentes trabalhos
modificaram substancialmente e sem dúvidas,
alguns conceitos anteriores. A força e a
flexibilidade foram identificadas como as
qualidades de aptidão mais importantes para a
qualidade de vida das pessoas, mesmo do ponto de
vista da homeostase hemodinâmica. Esta condição
pode ser entendida como a capacidade de realizar
com segurança e conforto os esforços comuns da
vida diária. Os efeitos salutares da atividade
física hoje se sabe que são independentes de
sistematização de execução, e independentes
também do tipo de aptidão física estimulada.
Exemplificando, exercícios que desenvolvem a
força ou outras qualidades de aptidão, estimulam
a saúde geral e cardio-vascular tanto quanto os
exercícios que desenvolvem a capacidade aeróbia.
Saúde cardio-vascular não pode ser confundida
com "aptidão cardio-vascular". Apoiados em
revisão da literatura, o "American College of
Sports Medicine" e os "Centers for Disease
Control and Prevention" dos Estados Unidos da
América do Norte, divulgaram novas recomendações
sobre atividade física para populações (Pate et
al, 1995). Está explicitado no texto desse
documento que a antiga recomendação de 20 à 60
minutos de atividade contínua, com freqüência
cardíaca entre 60 e 90% da FCM, três ou mais
dias por semana, embora necessária para levar à
uma melhor capacidade aeróbia, não é necessária
para estimular a saúde das pessoas. Os efeitos
salutares são da mesma ordem de grandeza mesmo
quando a atividade física é interrompida, e sem
a manutenção de uma freqüência cardíaca alvo.
Isto se aplica diretamente aos exercícios com
pesos, ao trabalho braçal, e muitas atividades
do cotidiano e de lazer. O parâmetro de
atividade física que se identificou como o mais
relacionado com os efeitos salutares foi o gasto
calórico. As novas recomendações preconizam um
mínimo de atividade diária equivalente à 200
Kcal., independentemente do tipo de metabolismo
energético e outros fatores. O texto também
reconhece a importância do desenvolvimento da
força e da flexibilidade para a qualidade de
vida, principalmente no caso de pessoas idosas.
Referências bibliográficas:
Benn SJ, McCartney N, McKelvie RS.
Circulatory responses to weight lifting, walking,
and stair climbing in older males. J Am
Geriatr Soc, Feb, 44:2, 121-5, 1996.
Evans WJ. Reversing sarcopenia: how weight
training can build strength and vitality.
Geriatrics, May, 51:5, 46-7, 51-3, 1996.
Verril DE, Ribisl PM. Resistive exercise
training in cardiac rehabilitation. An update.
Sports Med, May, 21:5, 347-83, 1996.
Pate RR, PRATT M, BLAIR SN et al. Physical
activity and public health - Special
communication. JAMA, Febr. 273:5, 402-7,
1995.
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