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Treinamento
físico consiste basicamente na aplicação de
sobrecargas aos sistemas músculo-esquelético,
cardiovascular e neuro-endócrino, com o objetivo
de estimular adaptações morfológicas e/ou
funcionais. Sobrecarga deve ser entendida como
uma solicitação de função acima dos níveis de
repouso, sendo portanto uma situação de estresse
que leva à desestruturação tecidual, consumo de
substratos energéticos, de enzimas e de outras
substâncias essenciais, comprometendo a
homeostase. Sobrecargas excessivas em
intensidade ou volume podem levar à lesões ou
disfunções, mas no caso do treinamento físico
bem orientado, as sobrecargas são bem dosadas e
intermitentes. No repouso que se segue a cada
sessão de treinamento o organismo se recupera
das sobrecargas por meio de adaptações
morfológicas e funcionais específicas, levando
ao aprimoramento da composição corporal e do
desempenho. Especificidade, intensidade e volume
são os principais parâmetros do treinamento a
serem considerados no delineamento de um
programa. Analisaremos em separado cada um
desses parâmetros, com as particularidades
relativas aos exercícios com pesos. Quanto mais
comprometida for a capacidade física da pessoa
que inicia o treinamento, seja por sedentarismo
ou por doenças, mais suaves devem ser as
sobrecargas.
Especificidade -
Os exercícios com pesos podem ser
realizados de maneira a enfatizar mais a função
contrátil ou mais a função metabólica, no
sentido da produção energética. Pesos maiores,
que permitem poucos movimentos consecutivos
(repetições) enfatizam o mecanismo contrátil.
Produzem acentuado aprimoramento da força, tanto
por hipertrofia das fibras musculares, como
também por aumento da capacidade de recrutamento
de unidades motoras. Pesos menores, que permitem
mais repetições, também produzem hipertrofia,
mas enfatizam a resistência, a saturação de
glicogênio, a hidratação e a vascularização dos
músculos. Para a grande maioria dos objetivos do
treinamento com pesos parece estar havendo um
consenso de que o ideal são as repetições
médias, geralmente entre seis e doze, conhecidas
como "faixa de hipertrofia". Nessa faixa de
repetições as funções contrátil e metabólica
parecem ser igualmente estimuladas,
conseguindo-se uma boa associação das adaptações
morfológicas e funcionais citadas. As repetições
médias também são muito eficientes para
estimular a massa óssea, por serem realizadas
com pesos relativamente grandes. O gasto
calórico e a mobilidade articular recebem
estímulos em todas as faixas de repetições. Do
ponto de vista da segurança cardiovascular as
repetições médias também são desejáveis, por
produzirem aumento discreto da freqüência
cardíaca. A faixa de repetições em que devem ser
realizados os exercícios precisa estar bem
explicitada nas prescrições de treinamento.
Intensidade -
A intensidade nos exercícios com pesos se
refere ao grau de esforço que a pessoa emprega
na sua execução. Esforços máximos levam sempre à
chamada contração muscular máxima, que ocorre em
isometria e apnéia, e que pode ocorrer em
qualquer faixa de repetições. Quando não se
realiza a contração muscular máxima, a
intensidade do treinamento é dita sub-máxima. A
contração muscular máxima produz aumento
transitório porém acentuado da pressão arterial,
pelo que deve ser evitada por não atletas. Este
aumento de pressão arterial é maior com pesos
mais leves, que permitem várias repetições antes
da contração muscular máxima. Repetições médias
com cargas sub-máximas associam eficiência e
segurança mesmo para grupos especiais. A
expressão "cargas sub-máximas" não significa
pesos leves, mas apenas que os movimentos serão
interrompidos uma ou duas repetições antes da
ocorrência de isometria e apnéia. Pesos leves
não induzem as adaptações esperadas do
treinamento com pesos. Na prescrição do
treinamento, além da citação da faixa de
repetições, deve ser explicitado se as cargas
serão máximas ou sub-máximas. A citação
"treinamento sub-máximo" significa que além das
cargas não-máximas, os intervalos de descanso
serão prolongados o suficiente para que ocorra
diminuição acentuada da freqüência cardíaca, uma
necessidade para grupos especiais. A forma
clássica de expressar a intensidade do
treinamento com pesos por meio de porcentuais de
carga máxima não é adequada por não especificar
o grau de esforço, e também porque pode levar
profissionais à condutas indesejáveis como a
realização dos testes de carga máxima. Tais
testes introduzem um importante fator de lesão
no treinamento com pesos, principalmente para
iniciantes e grupos especiais. A determinação
das cargas de treinamento normalmente é feita
por experimentação, até que se consiga um peso
que induza o grau de esforço que se deseja para
as repetições planejadas.
Volume -
Séries são os conjuntos de repetições que se
realizam nos exercícios com pesos. O número de
séries por sessão e a freqüência das sessões
caracterizam o volume ou "quantidade" do
treinamento. Quanto maior o número de séries por
grupo muscular, menor deve ser a freqüência de
treinamento para os músculos envolvidos. Quando
poucas séries são realizadas por grupo muscular,
geralmente entre 3 e 5 incluindo as séries de
aquecimento, o mais habitual é exercitar todo o
corpo em uma única sessão, que ocorre de duas à
três vezes por semana, intercaladas sempre com
pelo menos um dia de descanso. Esse é o esquema
mais utilizado para o treinamento de grupos
especiais, como por exemplo, idosos. Pessoas com
mais aptidão podem realizar mais séries por
grupo muscular, geralmente com mais de um
exercício para cada região do corpo. Nesse caso
o treinamento costuma ser dividido,
exercitando-se apenas alguns grupos musculares
em cada sessão, para que a sua duração fique em
torno de uma hora. A divisão do treinamento pode
ser em duas, três ou mais partes, e as sessões
costumam ocorrer de quatro à seis dias por
semana. Atualmente os métodos de treinamento
considerados mais produtivos preconizam que
quando se realizam cerca de dez séries por grupo
muscular o treinamento desse grupo deve ocorrer
duas vezes por semana, e quando se realizam
cerca de quinze séries, apenas uma vez por
semana.
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