» Por que cuidar da sua pele » Aspectos psico-sociais da acne

A repercussão emocional da evolução da acne nos jovens ainda é controversa.

Deve-se deixar claro que acne não é uma doença psicossomática (doença que se manifesta a partir de causa emocional ou psicológica).

Acne pode ser descrita como uma doença multifatorial (muitos fatores diferentes envolvidos simultaneamente), cujas gravidades podem desencadear distúrbios psicológicos secundários (complexo de inferioridade, timidez, depressão, entre outros). A acne freqüentemente piora quando o estresse emocional é intenso e a ansiedade e a angústia podem agravar o quadro, e contribuir para resistência ao tratamento. Sendo assim, devemos tratar e levar em consideração a pessoa como um todo e não somente as lesões. Episódios depressivos podem mostrar a severidade do comprometimento psicológico dos pacientes.

Na puberdade, a acne aparece num momento muito delicado, no qual importantes transformações psicológicas e físicas estão ocorrendo.

A acne, nas formas mais graves, é uma doença deformante e suas vítimas são freqüentemente discriminadas e isoladas pelos seus próprios colegas, o que pode gerar perda da confiança e da auto-estima e isolamento social ou timidez extrema.

Por isto é sempre importante os médicos discutirem sobre os sentimentos dos pacientes, perguntando aspectos relacionados com interações sociais, comportamento sexual, desempenho na escola ou trabalho, dietas, uso de drogas, entre outros. É também comum esclarecer que a acne não é uma doença contagiosa.

Quando a confiança e o respeito estiverem estabelecidos, os pacientes ansiosos mostram-se mais aptos a seguir um esquema terapêutico (conjunto de recomendações de tratamento) e a acreditar no benefício que este esquema poderá trazê-lo.

Os fatores emocionais que contribuem para o agravamento da acne são freqüentemente abordados de forma determinada pelo médico, evitando-se conotações errôneas sobre severidade do quadro clínico ou pessimismo. Em pessoas que se encontram emocionalmente abaladas, pode-se prescrever medicamentos que reduzem a ansiedade ou depressão (ansiolíticos ou antidepressivos).

Involução espontânea da acne e provável explicação

Uma das importantes constatações é que a acne desaparece espontaneamente após a adolescência na maioria das pessoas.

Em pessoas normais, estudos histológicos mostram que o tamanho dos folículos pilossebáceos aumenta progressivamente durante a adolescência e de fato, tende a continuar aumentando na fase adulta. Esta ampliação não se limita somente às glândulas, pois também a derme se espessa e aumenta a unidade pilossebácea. Pêlos terminais tornam-se maiores e mais grossos.

Nos jovens, o folículo não apresenta uma barreira de camada córnea efetiva, e portanto as substâncias localizadas no interior do canal podem facilmente sair através do epitélio.

Uma teoria sobre a involução espontânea (formação de uma camada córnea):

Nos adultos, o infundíbulo é revestido por uma camada córnea firme. Esta camada pode funcionar como uma barreira efetiva e proteger a pele das substâncias comedogênicas encontradas no sebo e de substâncias tóxicas produzidas por uma densa população de Propionibacterium acnes.

Tem sido demonstrado que a reatividade folicular diminui com a idade, especialmente após os 60 anos, devido à presença de uma camada córnea bem desenvolvida no interior dos folículos pilossebáceos.

Por fim, ainda permanece um mistério sobre o motivo da involução espontânea da acne. Há apenas a hipótese de que o desenvolvimento de um efetivo extrato córneo, funciona como uma barreira, podendo representar um importante fator neste processo.

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